An essay by Sir Daniel Coimbra

Neste ensaio, pretendo examinar a progressão do que chamo de força-motriz, isto é, aquilo que me compele a pensar e estudar. Começo analisando minhas early skirmishes intelectuais por volta de ’08 ou ’09, e passo pelas mais importantes fases até hoje, final de ’15 – culminando numa BSoD (tela azul) fulminante. A falta de conclusão do texto reflete meu estar numa fase incerta do meu desenvolvimento.

Meu primeiro contato com argumentação desenvolvida foi com bate-bocas online sobre ateísmo, aborto, eutanásia, astrologia, e evolução – discussões rasas e com ambos os lados convictos. Me irritava profundamente que os outros tivessem opiniões imbecis. Entretanto, isso não me compelia a ser o mais didático possível e assim iluminá-los, mas sim tentar esmagar seus egos. Até hoje penso que os que discordaram radicalmente de mim sobre esses assuntos nunca falaram nada que preste. Oh well.

Esfriaram-se os temas costumeiros, e interessei-me por política e filosofia séria. Feminismo, economia, ambientalismo, ativismo negro, emergentismo, liberalismo social, transfeminismo, pessoísimo & animal rights, and so on.

Gradualmente perdi meu encanto com o debate internético e passei a sonhar com o diálogo filosófico, a verdadeira troca de ideias a partir da posição mais aberta, vulnerável, e racional, possível. Contudo, não coloquei o ideal em prática; ao invés, concentrei minhas atenções na aquisição de conhecimento para poder continuar proving other people wrong. Isso tudo aconteceu entre early ’14 e august ’14.

Contudo, eu não queria mais prove people wrong. Queria chegar a ideias novas; repetir mecanicamente porque idiotas são idiotas deixou de ser intelectualmente estimulante. Depois preenchi-me de dúvidas sobre inúmeras certezas minhas, de tal modo que tecer comentários jargônicos em meu mural não mais me interessava. Não mais me interessava qualquer tipo de confiança indevida e hasty judgement. Tomei uma posição aparentemente realista com a contenciosidade das questões, reconhecendo minha ignorância e o cuidado necessário para obter conclusões confiáveis. Toda sorte de conclusões se tornaram suspeitas, tornando-se up for debate até que se analise os melhores argumentos – exatamente como os especialistas e grandes pensadores costumam fazer.

Fiquei meses observando o rigor e o vigor intelectual de outros pensadores, além de disciplina. Me afastei do mundo fora de casa e fora dos meus círculos intelectuais, a fim de aperfeiçoar minha formação intelectual. Descolei-me dos relacionamentos, da faculdade, e qualquer vida fora da internet, meu quarto, e a Biblioteca Octavio Ianni (do IFCH).

Então, uma quebra. Com meu ingresso, de alguns meses para cá, em alguns dirty business, fui levado a um estado de confusão. Por dirty business me refiro ao mundo literário e ao romancismo – que terminei pro interagir sem a timidez e falta de inspiração dos meus contatos passados. Também houve momentos marcantes na minha vida pessoal durante os últimos meses, contribuindo para o declínio do meu casulo.

Confusão. Agora se incluiam dentre minhas preocupações questões como refinamento estético, auto-conhecimento, sentido, interação psicológica, e a boa vida. A busca pela Verdade tomou um teor diferente. Era necessário ir mais profundo nas questões, em busca de significado filosófico, em busca do belo, em busca daquilo que é nobre, e em busca de relações interpessoais cheias de sentido. Saiu dos holofotes a busca pela compreensão da realidade material e da filosofia mais árida. (A exemplo da filosofia da linguagem, lógica, a ética desinteressada e superficial, e outras áreas interessantes, mas de pouco significado existencial.)

Esse desenvolvimento pareceu-me eminentemente positivo. Quem apontou-lhe um problema foi um amigo meu, e o que ele notou foi o seguinte. Me convenci que estava pensando bem só porque estava questionando; tal coisa é ótima, e constitui exemplar exercício do ceticismo, mas eu não estava aplicando todo meu poder de raciocínio às questões. Isso fez com que eu não fizesse progresso em questões importantes, e também com que eu desse mais corda à certas ideias do que seria razoável. Em suma, eu estava fazendo perguntas importantíssimas, but I indulged in lazy thinking.

Crise. Vos descrevi como uma simples narrativa meu processo intelectual, mas em nenhum dos pontos estava óbvio qual seria o próximo passo. Tudo estava procedendo sem grandes preocupações, até que esse problema veio à tona. Eu, o grande preocupado com o aprendizado, estava preso num lamaçal! Chegava a hora da faxina ‘em casa’. A metodologia de estudo estava fundamentalmente equivocada, apesar dos últimos mese terem constituído uma bela experiência.

Talvez percebendo o clima de faxina, esse mesmo amigo meu decidiu postular buracos em outra seção de minha mente: o que é a boa vida. Era possível que não só a metodologia de estudo estivesse errada, como os próprios objetivos que guiavam meus esforços também. Se propunha que não era tão interessante ser um polímata no claustro, mas sim um ativo e competente participante nos afazeres humanos. Sou, afinal, ser humano. É isso que alegadamente me dá sentido e deve nortear meus estudos.

(Também entrou no rol de minhas preocupações o julgamento justo de outras pessoas. Me incomoda profundamente que eu me julgue sob uma luz positiva e empática, enquanto Outros são julgados severamente. Eu quis, então, aprender a julgar-me com a justa severidade e julgar os outros com a justa empatia. Isso foi parte do que me levou a querer entender os outros, algo que me ajudaria em ambos os tipos de julgamento.)

Minha compreensão desse ponto de vista foi catalisada pelos supracitados eventos marcantes dos últimos meses. Há intenso significado nas relações humanas, e enchi-me de vontade de interagir com outras universe-islands – outras mentes. Essencialmente, uma extensão da minha busca por significado na literatura. O sentido também está na nossa condição de humanos. Meaning not only sub specie aeternitatis, as intellects, but also sub specie humanitatis – as humans.

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