Yesterday I had just laid down to sleep, and my mind was filled with Kantian thoughts after a long day of reading about Kant and German intellectual culture in general (in the latter half of the 18th and first half of the 19th centuries). Then it occurred to me: my chair doesn’t look like anything, nor do the particles the constitute it. They’re just objects. The thing in itself isn’t experienceable because the thing in itself is not an experience. Any attempt to “see” them will involve some representation. There are many ways I could represent them, and some representations are correct whereas others are not (and allow me to form correct or useful beliefs about them), but they’re all representations, not the objects.

Think about it. You cannot even visually imagine an object without a color, as Bishop George Berkeley argued long ago. Objects don’t look like anything; what look likes something are representations of objects.

Recently, I read about similar ideas in Quantum Magazine. Check out what Donald Hoffman says: “Suppose there’s a blue rectangular icon on the lower right corner of your computer’s desktop [interface] — does that mean that the file itself is blue and rectangular and lives in the lower right corner of your computer? Of course not. But those are the only things that can be asserted about anything on the desktop — it has color, position and shape. Those are the only categories available to you, and yet none of them are true about the file itself or anything in the computer. They couldn’t possibly be true. That’s an interesting thing. You could not form a true description of the innards of the computer if your entire view of reality was confined to the desktop. And yet the desktop is useful. That blue rectangular icon guides my behavior, and it hides a complex reality that I don’t need to know. That’s the key idea. Evolution has shaped us with perceptions that allow us to survive. They guide adaptive behaviors. But part of that involves hiding from us the stuff we don’t need to know. And that’s pretty much all of reality, whatever reality might be.”

This leads me to something I have been thinking. It is entirely possible that we live in a simulation, so that our brains are representing objects as spatially located whereas they are really only digital files in a machine that work in certain ways so as to behave as if they were spatially located (think of a car in Grand Theft Auto: is it really “to the left” of the main character, or is it just a bunch of data on the computer that has certain numerical attributes that make it behave as if it was to the left of the main character?).

Likewise, and this is the interesting bit, we could be in a sort of mathematical world in which there is not really a concrete object called “space”, but only, say, certain indexes that accompany objects and affect with what other objects they can affect. Two particles can only interact if their indexes satisfy certain conditions we call “being near”, but that in reality is just a mathematical relation between the indexes. When we walk a “long distance”, we are really acting so as to change the index of the particles constituting our eyes and body, so that they get numerically closer to the index of the particles constituting the “place” we want to get to. And this changes how we visually interact with the place, and what we can do with it.

Space, then, would be a construct of the human mind, even thought it does map reality accurately. It’s not the “being spatially located” part that is accurate, for space itself (in this scenario) doesn’t really exist as we conceive it, but it’s a closely analogous feature of reality. Particles behave as if there was space, because they have indexes that make them interact only if they satisfy certain metrics which might as well be formalized as Euclidean geometry, for instance. A particle with the index (1,0,0,0) can not interact with the particle that (3,0,0,0), but only at (2,0,0,0), because it is “right next to it”. Because non-spatial reality can be mapped as spatial, just like the internal data of the world in Grand Theft Auto can be mapped as spatially located 3D objects by my computer screen, my brain evolved so as to map reality as spatial. But it is not.

This doesn’t mean we don’t map reality, in a certain way, accurately. We can translate sentences written in “spatial-talk” to “non-spatial-talk”, just like someone who knew the inner workings of Grand Theft Auto would be able to translate back and forth between images in the computer screen and data processing in the video processing card. So truth is preserved, since the map (phenomena) is isomorphic to the territory (noumena), contra Immanuel Kant.

The upshot is this: reality can be accurately and truthfully described, but it can never be “imagined” or “grasped”, for our ways of imagining and visualizing and grasping are only representations of the things in themselves. This is why we will never be able to “understand” or “grasp” what it really means to “be”, to exist. We cannot grasp the fundamental nature of substances and properties. Our mechanisms of “grasping” mean visualizing, or having some “intuitive understanding”, but we can only do this grasping and understanding with representations, because that’s how our minds are built.
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EDIT (28/12/16): I just wrote the following, as regards the metaphysics of space and the human unknowability of the ultimate nature of such things. Perhaps they are permanently unknowable, but I am not sure. It is in Portuguese, for I started thinking about it in that language:

Olhe esta ideia que eu tive: jamais poderemos conceber “intuitivamente” o que é o espaço, pois nossos modos de compreensão de coisas tridimensionais são visuais e táteis — mas o espaço em si não é nem visual nem tátil. Essa é a conclusão de Hume, e isso vai desencadear no apocalipse kantiano.

No entanto, eu mantenho que ainda podemos falar sobre o espaço e fazer algum sentido dele. Ele figura nas nossas melhores teorias científicas, por exemplo — eu quero dizer, uma abstração matemática figura na teoria, e essa abstração matemática pode ser naturalmente lida como “espaço”, já que podemos definir relações de proximidade e ordenamento (as if I knew what I was talking about!).

Ademais, podemos selecionar esta coisa-em-si, «espaço», ao definirmos algumas propriedades do espaço e relações causais na qual ele participa. (Uma pergunta é se definições poderiam capturar “toda” a coisa-em-si!) Isso não só nos permite falar sobre ele, como também nós dá alguma noção abstrata do que é o espaço. Então podemos mais ou menos entender o que é o espaço, mesmo sem “grasp” sua natureza última.

O importante desses dois insights é o seguinte: primeiro, como Hume parece ter notado, nunca poderíamos entender mesmo o que é o espaço mesmo que ele existisse e entrássemos em contato causal com ele (e tal). Disso eu extraio que sempre haverá um ar de mistério metafísico em torno da noção de espaço (e várias outras noções metafísicas, como “mente” ou “materialidade” ou “propriedade”), já que nunca parecerá que chegamos ‘até o fim’ da compreensão. E não chegamos mesmo, nem podemos chegar!

A segunda coisa importante é que não entramos numa conclusão cética em que não podemos concluir que HÁ espaço, ou que não podemos falar SOBRE espaço — como Kant e Hume mantinham —, só porque não temos uma noção do espaço. Ainda podemos ‘operacionalizar’ o conceito, ou podemos definir algumas propriedades que ‘selecionam’ o espaço (uma coisa-em-si) unicamente, ou podemos saber algumas propriedades do fenômeno. Voilà, mort à Hume et Kant!
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EDIT (29/12/16): Como conhecer o mundo numênico destruindo a epistemologia kantiana.
1. Minha ideia é o seguinte: nós observamos o fenômeno x (a aparência de “objetos caindo” — uso ‘fenômeno’ no sentido kantiano aqui). Então, nós interagimos de uma maneira y com o mundo numênico, e como produto dessa interação o mundo numênico interage com nosso corpo para gerar o fenômenos x’, x”, x”’…

2. Assim, aprendemos que tipos de interações com o mundo numênico geram que tipos de alterações no nosso mundo fenomênico. A partir disso, podemos criar teorias que postulam “inobserváveis” para explicar porque a ação y levou aos fenômenos x’, x”, x”’…

3. Grosso modo, quando conseguirmos usar essa teoria pra prever quais ações y’, y”, y”’… gerarão quais fenômenos, nós teremos uma confirmação para essa teoria e, assim, um chão para acreditar nas entidades inobserváveis postuladas por essa teoria. Se não me engano, é assim que o Quine faz metafísica: comprometimento ontológico com as entidades postuladas por nossas teorias (“whatever we quantify over”). E claro, eu coloquei em termos de confirmação, mas podemos refinar para defender o falsificacionismo e outras coisas.

4. Essas entidades inobserváveis são elementos do mundo numênico. Assim como podemos caracterizar um elétron dentro da nossa teoria física — sua carga,  sua massa, seus padrões de interação com outras partículas, suas condições de surgimento (excitação de campo etc.), e um pouco do funcionamento causal dessas coisas (carga: certos tipos de interação, massa: resistência a aceleração e outras coisas) —, então nós conseguimos não só saber que elétrons existem, mas caracterizar seu funcionamento e algumas de suas propriedades.

5. Mesmo que nossa cognição seja incapaz de *conceber* o elétron da mesma maneira em que é capaz de conceber uma uma ideia, uma cor, um espaço 3D, o decorrer do tempo, nós ainda somos capaz de enunciar algumas de suas propriedades e ter confiança de sua existência.

Me disseram que isso é epistemologia Popperiana na veia, e que Popper foi um grande interlocutor de Kant. (Eu já li na auto-biografia que ele leu mais de uma vez a primeira Crítica, então as coisas batem.) Great minds think alike, right?
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EDIT (30/12/16): Hoje antes de sair pro jantar eu tive uma ideia de porque parece pra tanta gente que “falta alguma coisa” quando dão um account funcional da consciência. Há quem diga, ainda, que a consciência não pode ser material porque não se pode dar um account funcional dela, enquanto se pode dar accounts funcionais de coisas materiais, como elétrons.

O insight barely intelligible é esse: nós frequentemente damos accounts funcionais de coisas materiais, como elétrons e espaço. No entanto, esses acounts funcionais não capturam o que é a coisa (this barely makes sense, but bear with me).

Estava pensando sobre isso outro dia no bandejão, quando pensei que um quark seria apenas um bundle of properties num account funcional. Propriedades são maneiras de interagir com outras coisas, e vemos isso em propriedades como spin, massa, e carga. O que ele é, “metafisicamente”, não entraria no conjunto de propriedades.

(Confusing section: e parece que deve haver esse ‘ser’ por trás das propriedades. As propriedades, e o bundle como um todo, *precisa* de algo para ‘latch onto’. Não pode haver um ponto do espaço-tempo sem uma ‘essência’ ou um ‘ser’, que seja puramente disposições para interação, i.e., um bundle of properties. Ao menos propriedades entendidas desse jeito funcional/disposicional/interacional.)

Essa caracterização essencial do elétron, ‘a coisa-em-si’, nós não conhecemos (ou melhor, não ENTENDEMOS). Entendemos apenas o account funcional, as disposições para interação, e esse account não captura o que é o elétron. Sendo assim, para nós não parece que há algo “faltando” quando damos um account funcional de um elétron, já que nem nos damos conta que há um ‘ser’ para o elétron.

No entanto, com a consciência, nós entendemos muito bem o que *é* a consciência; aliás, entender é justamente um modo de consciência, e nós temos claramente capacidade de refletir sobre nosso entendimento. Então, quando damos um account funcional para a consciência (como computacionalistas querem fazer, por exemplo), parece que há algo faltando — já que o account funcional não captura o que é a consciência. Aí, fica parecendo que o account funcional é inadequado como caracterização completa da consciência.

E aí eu digo: todo account funcional é inadequado, pois nenhum captura o que é a coisa, mas apenas suas disposições causais/interacionais. A consciência não é especial, só nos pareceu especial porque o que é a consciência nos é vívido pela experiência.

Isso fecha uma das vias argumentativas para estabelecer que a consciência é diferente da matéria. E também mostra como o mundo sempre vai ser ‘misterioso’ em última instância; quem pensa muito forte sobre o que é o ‘ser’ acaba batendo a cabeça contra isso. É impossível para nós descrever linguisticamente o que é um elétron; podemos descrevê-lo apenas como um bundle of properties. E não é possível apreender, com algum insight não-verbal (da maneira como apreendemos o que é a vermelhitude), o que é o elétron. (Vide os argumentos sobre representação e etc. na primeira seção.) Isso não significa que o conhecimento seja impossível, ou que a linguagem não fale sobre a realidade, ou qualquer bobagem assim.

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